Itaú virou cliente da Simile antes de investir na IA dela

Equipe Viver de IA · 2026-10-17
O banco usou a tecnologia por dentro antes de colocar dinheiro, e esse é o roteiro que a maioria ignora.
O essencial
- O Itaú virou cliente da Simile antes de investir, reduzindo risco com uso real antes de qualquer aposta de capital.
- Simulação de comportamento é o andar mais alto da escada: dados limpos, automações básicas e baseline mensurado vêm antes.
- Empresas sem portfólio de IA pagam caro por erros; a sequência correta é escolher um processo com número associado, medir e só expandir após retorno comprovado.
- Ferramentas proporcionais ao problema real geram mais resultado do que tecnologia de ponta aplicada sobre dados inconsistentes.
O Itaú comprou antes de investir, e essa ordem importa
A parte mais interessante da rodada da Simile não é o cheque. É a frase enterrada no meio da matéria da Bloomberg Línea: o Itaú foi o primeiro cliente da startup na América Latina, e essa relação comercial antecedeu o investimento. O banco usou a ferramenta, acompanhou a tecnologia desde os estágios iniciais, e só depois colocou dinheiro na extensão de uma série B que avaliou a empresa em US$ 2 bilhões.
Usar, medir, depois apostar. Nessa ordem.
Parece óbvio quando um banco de trilhões faz. Mas é exatamente o inverso do que a maioria das empresas brasileiras faz com IA todo mês: assina o contrato, paga a licença, aposta no hype e só depois (às vezes nunca) descobre se aquilo serve pra alguma coisa.
O que a Simile faz, em português de dono de empresa
A Simile, segundo a matéria, desenvolve modelos de IA que simulam comportamento humano. Agentes generativos que modelam como pessoas, organizações e mercados reagem a cenários diferentes, com um indicador de confiança atrelado a cada resultado, pra testar hipótese antes de executar.
Traduzindo: um banco pode rodar "como meus clientes reagiriam a essa mudança de tarifa" num ambiente simulado, em vez de descobrir na prática perdendo conta.
É uma ideia poderosa. E é também, na nossa leitura, o tipo de tecnologia que vira armadilha quando sai do contexto de quem tem dados de milhões de clientes e sobra pra quem mal consegue extrair relatório confiável do próprio ERP. O Itaú tem base, histórico e volume pra alimentar uma simulação dessas. A maioria das empresas que vai ler essa notícia e achar "preciso disso" não tem.
Simular o comportamento do cliente só vale quando você já consegue descrever, com dado, o comportamento real dele.
Por que a maioria vai ler isso errado
A leitura fácil da notícia é: a IA agora simula gente, o futuro chegou, preciso correr. A leitura que a experiência de implementação ensina é outra.
Na nossa leitura, a notícia vale como contra-exemplo de método, não como gatilho de compra. O que o Itaú fez de certo não foi "investir em IA de ponta". Foi:
- Virar cliente primeiro, com um caso de uso real, antes de qualquer aposta de capital.
- Acompanhar a tecnologia por dentro, medindo se o resultado tinha confiança suficiente pra decisão.
- Só então tratar como investimento estratégico.
Isso não é glamour. É disciplina. E é a parte que não cabe em manchete.
A Simile ainda é jovem, a própria matéria diz que o valor aportado pelo Itaú não foi divulgado. Então uma coisa que honestamente ainda não dá pra cravar: se esse tipo de simulação de comportamento vira ferramenta de gestão padrão ou fica restrito a quem tem bolso e dado de banco. A gente não sabe, e quem afirmar que sabe está vendendo.
A conta que o dono de empresa precisa fazer
O ponto prático para a empresa brasileira média não é a Simile. É a pergunta que o Itaú respondeu antes de assinar: isso resolve um problema que eu consigo medir?
Simulação de comportamento é o andar de cima da escada. Antes dele existem degraus que quase ninguém sobe com calma:
- Os dados da operação estão limpos e acessíveis, ou vivem em planilha e na cabeça de três pessoas?
- As tarefas repetitivas de atendimento, orçamento e qualificação já estão automatizadas, ou ainda consomem horas de gente cara?
- Existe um número de baseline, antes de qualquer IA, pra você saber se algo melhorou?
Quem pula esses degraus paga caro por uma simulação sofisticada rodando em cima de dado podre. Lixo entra, simulação linda e errada sai, com indicador de confiança e tudo.
+99%: melhoria no tempo operacional da Truckpag
A diferença entre comprar hype e comprar resultado aparece no mecanismo. A Truckpag não começou por modelo fundacional de comportamento. Reposicionou a comunicação no centro do processo com automações integradas via n8n, ManyChat, CRM e WhatsApp, notificando o comercial automaticamente quando o time de Crédito pedia ajuste. Resultado medível: mais de 99% de melhoria no tempo operacional. Degrau certo, no momento certo.
E tem o caso de quem resolveu antes de investir em ferramenta cara. A Caveo montou um stack de Martech com a "Sofia", uma SDR de IA no WhatsApp que qualifica lead, tira dúvida técnica e envia cupom, com o fluxo inteiro automatizado da landing page ao Pipedrive. 30% de resgate de leads que antes evaporavam. Nenhum modelo fundacional envolvido. Problema real, ferramenta proporcional ao problema.
O que separa aposta de capital de aposta de empresa
Um banco pode se dar ao luxo de apostar em várias startups e errar em algumas, porque o portfólio absorve. Uma empresa operacional não tem portfólio de IA. Tem uma operação só, e cada projeto que não anda custa dinheiro e credibilidade interna com a equipe.
Por isso a ordem do Itaú é mais ensinável do que o cheque. Ele reduziu o risco virando usuário antes de virar investidor. A versão disso pra quem não é banco é simples de descrever e difícil de ter paciência pra executar:
- Escolher um processo que dói de verdade, com volume e com número associado (horas, taxa de conversão, custo).
- Rodar a solução nesse processo específico antes de assinar contrato anual ou comprar a plataforma "completa".
- Comparar com o baseline que você registrou antes. Se não mexeu no número, não era o processo certo ou não era a ferramenta certa.
- Só expandir pra outros processos depois que o primeiro provou retorno.
- Se faltar clareza sobre onde começar, mapear a operação com o diagnóstico de IA antes de gastar no primeiro degrau errado.
O Itaú apostou US$ 200 milhões de rodada numa empresa que ele já conhecia por dentro. A sua empresa pode apostar muito menos e, ainda assim, só depois de conhecer por dentro. A sequência é a mesma. O que muda é a escala, não o método.
A manchete vende o futuro da IA simulando humanos. A lição que fica, pra quem toca negócio, é bem mais pé no chão: conhece antes de comprar, mede antes de expandir, e trata simulação sofisticada como o último andar, não como a porta de entrada.
Fonte: Fever capta US$ 250 milhões, e Itaú aposta em startup de IA dos EUA
Relacionados
Agentes de IA: o guia completo
Soluções de IA prontas para empresas
Agentes de IA para empresas: como eles agem sozinhos
Copilot para empresas: a licença não entrega a produtividade
Perguntas frequentes
O Itaú investiu na Simile sem conhecer a tecnologia antes?
Não. O Itaú foi o primeiro cliente da Simile na América Latina e só investiu depois de usar e acompanhar a tecnologia desde os estágios iniciais.
O que a Simile faz?
Desenvolve modelos de IA que simulam comportamento humano, permitindo que empresas testem como clientes, organizações e mercados reagiriam a cenários específicos antes de executar uma decisão.
Minha empresa precisa de simulação de comportamento como a do Itaú?
Provavelmente não agora. Simular comportamento de clientes só vale quando você já consegue descrever, com dados, o comportamento real deles, e a maioria das empresas ainda não chegou nesse degrau.
Como evitar comprar IA cara sem retorno?
Escolha um processo que dói, registre um número de baseline antes de qualquer ferramenta, rode a solução nesse processo específico e só expanda depois que o primeiro caso provar retorno mensurável.
É possível ter resultado com IA sem modelos sofisticados de comportamento?
Sim. A Truckpag obteve mais de 99% de melhoria no tempo operacional com automações via n8n, ManyChat, CRM e WhatsApp, sem nenhum modelo fundacional envolvido.
Isto não é teoria. É o que já implementamos.
521 cases reais, todos com número aberto, e 159 soluções de IA prontas para empresas brasileiras.