35 projetos apensados: a regulação de IA vai demorar mais

Equipe Viver de IA · 2026-07-28
O PL 2338 virou um guarda-chuva de 35 propostas, e isso muda o cálculo de quem espera a lei pra agir.
O essencial
- O PL 2338/2023 tem 35 projetos apensados, o que torna improvável uma aprovação rápida.
- Automações operacionais, confirmação de consulta, triagem, agendamento, estão fora do território de risco alto que a futura lei mira.
- Governança básica (rastro de decisão, origem de dados, humano em ponto sensível) pode e deve ser implementada agora, sem depender do texto final.
- Travar a operação esperando o plenário é abrir mão de resultado em aplicações que a regulação, pela direção da ementa, não tende a proibir.
O que a lentidão do PL 2338 significa pra sua operação hoje
A lei de IA no Brasil ainda vai demorar. E quem organiza a operação pensando em esperar o texto final tomar forma está apostando no calendário errado.
O PL 2338/2023, que "dispõe sobre o desenvolvimento, o fomento e o uso ético e responsável da inteligência artificial com base na centralidade da pessoa humana", segundo a ficha de tramitação da Câmara, está aguardando parecer do relator na Comissão Especial. E já tem 35 proposições apensadas a ele. Trinta e cinco projetos que precisam ser costurados num texto só antes de qualquer votação de plenário.
Pra quem toca uma empresa, a leitura prática é simples: o marco não fica pronto tão cedo, e a tramitação com dezenas de apensados quase sempre é longa.
Regulação em construção não é sinal verde pra fazer qualquer coisa
Aqui a gente precisa separar duas confusões que aparecem toda semana em reunião de diretoria.
A primeira é achar que, como a lei não passou, IA é terra sem dono e vale tudo. Errado. A ementa do próprio PL 2338 já indica a direção que o legislador vem tomando: uso ético, direitos da pessoa, proteção ao trabalho e ao trabalhador, autorregulação e penalidade. Isso não sai de moda quando o texto for consolidado. Quem implementa hoje ignorando rastreabilidade, consentimento e proteção de dados vai ter que refazer depois, e refação custa mais que fazer certo da primeira vez.
A segunda confusão é o oposto: travar tudo esperando "quando a regra ficar clara". Essa é a que mais dói no caixa.
Enquanto o Congresso costura 35 projetos num texto só, sua concorrência não está esperando a lei pra automatizar o atendimento.
O que a indexação do projeto já entrega de pista
O texto capturado da Câmara lista na indexação alguns pontos que valem atenção de gestor, porque não dependem da versão final pra virar prática recomendável:
- Autorregulação e penalidade: a lógica é a mesma da LGPD. A empresa que documenta o próprio processo de decisão com IA chega mais tranquila em qualquer fiscalização futura.
- Proteção ao trabalho e ao trabalhador: qualquer automação que mexe em função de gente vai pedir critério. Vale pensar nisso no desenho, não no remendo.
- Letramento algorítmico e crítico, citado na alteração da Política Nacional de Educação Digital: o Estado sinaliza que quer gente entendendo IA. Dentro da empresa, isso se traduz em treinar a equipe, não só comprar ferramenta.
Nenhum desses três precisa de lei votada pra ser boa prática. São o piso de quem vai implementar sem se arrepender.
O erro de leitura que a maioria vai cometer
A maioria vai ler "projeto parado em comissão" e concluir que dá pra empurrar a decisão de IA pra 2027. Na nossa leitura, isso inverte a ordem das coisas.
A regulação, quando chega, tende a mirar risco alto: saúde, crédito, biometria, decisão automatizada que afeta direito de pessoa. A maior parte do ganho de IA numa PME brasileira não está nesse território de risco alto. Está no operacional chato: confirmação de consulta, qualificação de lead, geração de relatório, triagem de documento. Coisa que a lei, do jeito que a ementa aponta, não vai proibir. Vai, no máximo, pedir transparência.
Ou seja: o campo onde a IA paga a conta mais rápido é justamente o menos afetado pelo texto em discussão. Esperar a lei pra mexer nesse campo é abrir mão de meses de resultado por causa de um risco que nem incide ali.
A gente vê isso no concreto. O Centro Médico Alphaview chegou a 80%, 87% de automação na recepção automatizando a confirmação de consultas por WhatsApp com reforço por voz com IA ao longo da jornada do paciente. É operação pura. Não é o tipo de aplicação que trava esperando comissão especial se pronunciar.
E a CDI Odontológica chegou a 100% de automação de atendimento com o assistente virtual CID integrado ao sistema de gestão, cuidando de agendamento e pós-venda pra liberar a recepção. De novo: automação de fluxo interno, o terreno onde a regra futura pede organização, não abstinência.
O que a lei provavelmente vai cobrar, e você já pode fazer
Se o PL 2338 seguir a direção da própria ementa, o que ele vai exigir de uma empresa que usa IA é mais governança do que proibição. E governança você constrói agora, sem depender de voto:
- Documentar onde a IA decide sozinha e onde tem humano no meio. Isso é o que qualquer autorregulação vai pedir primeiro.
- Registrar de onde vêm os dados que alimentam seus agentes. Consentimento e origem, não improviso.
- Deixar rastro de decisão. Se um agente recusa um lead ou classifica um paciente, precisa dar pra explicar o porquê.
- Treinar quem opera. A indexação do projeto fala em letramento crítico por um motivo: ferramenta sem gente que entende vira risco.
Quem monta isso no desenho da automação, e não como puxadinho depois, sai na frente quando o texto for consolidado. E, honestamente, não dá pra saber ainda qual versão final dos 35 projetos vai prevalecer. Por isso o critério certo não é adivinhar o artigo, é construir a operação de um jeito que aguente qualquer versão razoável.
O que fazer com isso na prática
A notícia não é sobre a lei. É sobre o tempo que você tem antes dela, e sobre não desperdiçar esse tempo.
- Separe suas aplicações de IA em duas pilhas: risco alto (afeta direito de pessoa, saúde, crédito, biometria) e operacional (fluxo interno, tarefa repetitiva). A segunda pilha pode andar já.
- Nas aplicações operacionais, implemente com governança leve desde o início: rastro, origem de dado, humano no ponto de decisão sensível.
- Nas de risco alto, avance com mais cautela e documentação, porque é ali que o texto futuro vai bater mais forte.
- Não trave a empresa inteira esperando o plenário. A maior parte do ganho está fora do território que a lei mira.
- Comece mapeando qual pilha cada processo seu ocupa com o diagnóstico de IA para empresas, pra decidir o que anda agora e o que espera com critério.
A lei vai chegar. A conta do que você deixou de automatizar enquanto esperava também.
Fonte: Apensado ao PL 2338/2023
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Perguntas frequentes
A lei de IA no Brasil já foi aprovada?
Não. O PL 2338/2023 ainda aguarda parecer do relator na Comissão Especial, com 35 projetos apensados que precisam ser consolidados antes de qualquer votação em plenário.
Posso esperar a lei ser aprovada antes de implementar IA na minha empresa?
Não é recomendável. A maior parte do ganho de IA em PMEs está em automações operacionais (atendimento, agendamento, triagem) que são o segmento menos afetado pelo texto em discussão.
Como minha empresa deve se preparar para a futura regulação de IA?
Documentando onde a IA decide sozinha, registrando a origem dos dados, deixando rastro de decisão e treinando a equipe, práticas de governança que independem da aprovação da lei.
Quais usos de IA exigem mais cautela enquanto a lei não é aprovada?
Aplicações de risco alto, como saúde, crédito, biometria e decisões automatizadas que afetam direitos de pessoas, são o território que o texto futuro deve regular com mais rigor.
A ausência de lei significa que qualquer uso de IA é permitido?
Não. A ementa do PL 2338 já sinaliza direções como uso ético, rastreabilidade, consentimento e proteção de dados, ignorá-las hoje significa ter que refazer a operação depois, com custo maior.
Isto não é teoria. É o que já implementamos.
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