O que 70% dos advogados usando IA não percebem sobre o próprio número

O que 70% dos advogados usando IA não percebem sobre o próprio número

Equipe Viver de IA · 2026-06-27

A pesquisa da Análise mostra adoção alta, mas o gargalo real dos escritórios brasileiros não é usar ferramenta, é governar processo.

O essencial

  • Uso individual de IA por 70% dos advogados não equivale a transformação do escritório, equivale a ganho pessoal disperso sem captura institucional.
  • O retorno financeiro aparece quando a IA vira fluxo de empresa: um case citado no artigo registrou redução de 66% no tempo de tarefas e economia mensal recorrente de R$ 3.300.
  • Padronização de processos precede a automação, tecnologia aplicada sobre fluxo desorganizado acelera o desorganizado.
  • O maior risco não é o escritório que não usa IA, mas o que usa sem organizar o uso e acredita estar à frente da concorrência.

A adoção já aconteceu, a organização não

Setenta por cento dos advogados entrevistados pela Análise admitiram usar pessoalmente alguma ferramenta de IA no trabalho, e o mesmo percentual concorda que a tecnologia fará parte das tarefas hoje executadas por advogados. Esse dado, debatido no Programa Análise Advocacia com sócios de Dannemann Siemsen, TozziniFreire e PG Advogados, parece um sinal de maturidade. Não é. É um sinal de uso individual e disperso.

Quando o número de adoção pessoal bate com o número de quem acredita no futuro da IA, você não está vendo um escritório transformado. Está vendo profissionais resolvendo o problema deles, sozinhos, sem padrão, sem rastro, sem ganho coletivo. Cada advogado tem seu prompt favorito, sua ferramenta, sua manha. O escritório enquanto operação não capturou nada disso.

Foi exatamente o ponto que Peter Siemsen, o "cara da tecnologia" do Dannemann Siemsen, levantou na transmissão: "A gente quer o uso macro, quanto maior o escritório mais necessário, mas nem todos os sócios têm essa visão avançada de TI e sistemas. Temos regras super restritas de governança". Tradução de operador: o uso individual escala fácil, o uso institucional trava na falta de processo.

A maioria vai ler esse dado como vitória, e errar

O dono de escritório lê "70% já usam" e relaxa. Acha que está na média, que está acompanhando. Esse é o erro de leitura mais caro. Uso pessoal de ChatGPT para resumir um texto não move ponteiro de lucratividade. Move conforto individual.

A própria pesquisa entrega a contradição. As utilidades mais citadas foram consulta e pesquisa (71%) e apoio em atividades paralelas como apresentações (76%). São tarefas de produtividade pessoal. Ninguém na matéria fala em redesenhar o fluxo de entrada de demanda, triagem de processos ou padronização do atendimento ao cliente. Siemsen chegou perto quando citou a IA "na identificação do conteúdo recebido e na identificação do serviço interno". Isso, sim, é processo. O resto é atalho individual.

E há o alerta certo de Peter sobre dinheiro: "Às vezes, o impacto da IA não é tão grande do ponto de vista da lucratividade e da organização. É preciso cautela". Concordo, com uma ressalva de quem implementa. O impacto some quando a IA fica no nível da pessoa. Ele aparece quando vira fluxo da empresa.

O uso individual de IA escala fácil, o uso institucional trava na falta de processo.

O ganho mora no processo repetitivo, não na ferramenta da moda

Ellen Gonçalves, CEO do PG Advogados, acertou no diagnóstico: "As aplicações no contencioso são inerentes por ter muitas atividades repetitivas". Guarde a palavra repetitiva. É ali que o número aparece, e é ali que a maioria não olha porque tarefa repetitiva parece pequena demais para merecer projeto.

Na ACP Contábil, um escritório de área igualmente regulada e cheia de tarefa repetitiva, atacamos justamente esse tipo de fluxo. O resultado não foi um advogado mais rápido no Google. Foi redução de 66% no tempo de tarefas e economia mensal recorrente.

R$ 3.300: economia mensal gerada na ACP Contábil

Esse número não vem de comprar uma ferramenta cara. Vem de pegar a tarefa que três pessoas faziam manualmente toda semana e transformar em fluxo automatizado, com governança, com padrão, com o ganho ficando na empresa e não na cabeça de um colaborador. O ROI projetado nesse mesmo case ficou entre R$ 15.000 e R$ 20.000. Para um escritório que ainda lê IA como "meu sócio usa ChatGPT às vezes", isso é dinheiro deixado na mesa todo mês.

Luiza Sato, do TozziniFreire, deu a receita prática sem chamar de receita: montar um grupo de inovação para entender, junto com as áreas, do que elas precisam, "melhorar redação, criar artigos, resumir textos, criar tabelas e atas de reuniões". Está certa na direção. Só falta o passo que separa intenção de resultado: mapear qual desses processos consome mais hora cara por mês e atacar esse primeiro.

O que fazer na prática a partir dessa pesquisa

Se você dirige um escritório e os 70% da Análise descrevem a sua casa, o caminho não é comprar mais ferramenta. É institucionalizar o que já existe disperso. Na ordem:

  • Mapeie onde o tempo caro vai embora. Liste as cinco tarefas repetitivas que mais consomem hora de gente sênior por mês. Não comece pela tarefa mais charmosa, comece pela mais cara.
  • Padronize antes de automatizar. Ferramenta sobre processo bagunçado entrega bagunça mais rápida. A padronização é o que transformou o ganho em algo replicável nos nossos cases, não a tecnologia em si.
  • Coloque governança desde o dia um. Siemsen está certo sobre regras restritas. Em escritório, dado de cliente passando por IA sem controle é risco, não inovação. Defina o que pode e o que não pode antes de escalar.
  • Meça em dinheiro, não em sensação. Se você não consegue dizer quanto economizou por mês, você tem entusiasmo, não resultado. ACP virou número porque foi medida.

Luiza tem razão quando diz que a IA tem limite de tempo e que depender dela para tudo pode entregar resposta desatualizada ao cliente. O limite existe. Mas ele protege quem trata IA como copiloto de processo, não como substituto de julgamento. Ellen fechou o raciocínio que importa: "A ameaça está presente para aquele profissional que não utiliza a IA". Eu acrescento, da cadeira de quem já implementou em escritórios assim: a ameaça maior é para o escritório que usa, mas nunca organizou o uso. Esse acha que está na frente e está apenas ocupado.

Fonte: Advogados comentam utilização de IA nos escritórios: "Inevitável"

Relacionados

Como implementar IA na empresa: o guia completo

Soluções de IA prontas para empresas

Mais de 500 cases reais de IA

O risco de colocar dados da empresa numa IA não está na IA. Está na configuração.

Como implantar IA sem virar projeto eterno

Perguntas frequentes

70% dos nossos advogados já usam IA. Isso significa que o escritório está transformado?

Não. Uso pessoal disperso não gera ganho coletivo, cada advogado tem sua ferramenta e seu método, mas o escritório enquanto operação não captura nada disso.

Que tipo de tarefa realmente gera retorno financeiro com IA em escritórios?

Tarefas repetitivas de alto volume, como triagem de demandas e padronização de processos internos, não ferramentas de produtividade individual como resumir textos ou montar apresentações.

Qual o risco de deixar o uso de IA sem governança no escritório?

Dado de cliente trafegando por IA sem controle é risco jurídico e reputacional; é preciso definir o que pode e o que não pode antes de escalar qualquer uso.

Como sei se a IA está gerando resultado real ou apenas entusiasmo?

Se você não consegue medir a economia em reais por mês, você tem entusiasmo, não resultado, o ganho precisa ser traduzido em número concreto e recorrente.

Por onde um escritório deve começar para institucionalizar o uso de IA?

Mapeie as cinco tarefas repetitivas que mais consomem hora de profissional sênior por mês, padronize esses fluxos e só então automatize, ferramenta sobre processo bagunçado entrega bagunça mais rápida.

Isto não é teoria. É o que já implementamos.

528 cases reais, todos com número aberto, e 159 soluções de IA prontas para empresas brasileiras.

Conhecer a plataforma · Falar com a Nina